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  • 17.12.07
    Niemeyer

    O aparecimento da Arquitectura Moderna nos anos vinte do século passado foi uma revolução, uma mudança de paradigma não visto desde que o Renascimento terminou a Idade Média e uma arquitectura de racionalidade secular substituiu o Gótico.

    Oscar Niemeyer, com os seus 100 anos, é o último representante vivo dos que a protagonizaram, e a frescura e o alento da sua obra provêm do facto de ser (mesmo quando realizada mais recentemente) desta época em que se acreditava que não só iria mudar o mundo, mas trazer a felicidade a todos os homens através da tecnologia e o planeamento. Não é por acaso a coincidência temporal com o sonho comunista, embora que se diga em abono da verdade que a arquitectura moderna e o socialismo real raramente ou nunca andaram de mãos dadas. Assim os mestres da moderna venderam os seus serviços, quando perceberam que nos países comunistas se preferia, tal como na Alemanha nazi e na Itália fascista, um neo-classicismo monumental, a quem a comprava. O que foi o capitalismo americano e, um pouco mais tarde, a Europa em reconstrução depois da 2ª Guerra Mundial. Mas as grandes ideias só conseguíram ensaiar em alguns países do terceiro mundo: Índia (Chandigar), Bangla-Desh (Dacca) e Brasil (Brasilia).

    Há quase quarenta anos que este sonho derrocou. Mas depois de um tempo de tentativas de revitalizar, de forma artificial e auto-irónico (tounge in cheek) os cânones clássicos, constatámos que nada disso nos levou a novas margens. Voltámos então à linguagem moderna, de que temos tudo disponível: conceitos, formas e ainda novas tecnologias. Não temos é que a fé e o optimismo que torna a arquitectura de Niemeyer contagiante, e que somos incapazes de apreciar, por isso mesmo, sem um sentimento de nostalgia.

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