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  • 11.11.06
    Menino prodígio

    Das coisas que ouvi quando pequenino, numa idade em que ainda o que os adultos diziam tinha uma autoridade inquestionável, foi essa do nosso vizinho dizer:
    “Um homem tem que ter uma opinião!”

    Já aos oito anos, percebi que aqui falava a estupidez.

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    29.4.06
    Fame

    “E se em todo o mundo uma em cada duas pessoas me lesse, ainda perguntar-me-ia o que, caramba, os outros andam a fazer.”*

    Quem escreve com fins literários quer exprimir-se e quer ser ouvido. Mas nem todos têm a sorte de Margarida Rebelo Pinto, cujos anseios, angústias, medos e sonhos, reflexões e verdades íntimas têm a qualidade de serem exprimíveis numa linguagem que está ao seu alcance como também ao de dezenas de milhares de leitoras, que as partilham.
    Outros tiveram de fazer uma escolha. O “Nós Pimba”-Emanuel, por exemplo, vi uma vez num debate na televisão defender o valor do que faz, com inteligência e pertinência. Afirmou que encontra satisfacção, uma satisfacção até altruista e nobre, em ser objecto dos sonhos húmidos de muitas e muitas mulheres frustradas do Portugal profundo, e mais, uma luz e um estímulo na sua vida. Acreditei, mas não consegui deixar de imaginá-lo em casa a ouvir Mozart às escondidas e sofrer com o fosso que o separa dele, não só em qualidade mas em sinceridade.

    O amigo olha para mim: Vá lá, deixa-te de coisas, tu também queres leitores, quanto mais, melhor, como todos. - É verdade, mas há um límite para além de que não estou disposto a deixar este desejo influenciar aquilo que quero comunicar, nem a forma como.
    Podem, incrédulos, achar essa afirmação desonesta, uma racionalização do insucesso, uma tentativa de transformar um fracasso numa escolha deliberada, adoçada com a aura de desinteressado e nobre. Não é que essa explicação psicológica não podia estar acertada - nego-o no meu caso, claro -, mas ao lado dela existe uma explicação simples e racional: O que me serve conseguir comunicar a muitos, se aquilo que comunico deixou de conter o que sou?

    O reconhecimento ambicionado não se mede para todos em dinheiro, nem pelo grau de notoriedade, nem só pelo número dos leitores. Verifiquei-o quando, com quinze visitas diárias, recebi os primerios links de bloggers que estimava. O que me levou a citar Phil Collins:
    In the beginning, I didn't set out to be famous. I was just a drummer who wanted to be respected by other drummers who I respected.


    * Cito de memória já não sei quem, que foi referido por já não sei quem. Shaw? Pedro Mexia?

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    14.4.05
    Pecado

    No Metro meio vazio, Domingo ao meio-dia.
    - Senta-te ali!
    A menina negra, com talvez nove anos, senta-se à minha frente. A sua mãe, com as compras, fica no outro lado do corredor.
    É uma criança muito bonita, num vestido de bombazina preta, camisola de gola alta e colãs azul céu. As suas tranças compridas são dobradas para formarem laços.
    Podia contemplar os olhos grandes e a boca de beijo com prazer descontraido, se não fossem os lábios maquilhados. Com bom gosto, diga-se, com muito bom gosto: num castanho alaranjado que identifico só à segunda vista como não natural, e que cria um contraste discreto, mas irresistível, com a sua tez escura.
    Por causa dos lábios pintados desvio a vista, mas volto a olhar de novo, furtivamente, num impulso, que, devido ao baton, já não é inocente.

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    30.3.05
    Ter um blogue feminiza

    Passo o meu tempo a tentar encantar.

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    3.10.04
    Inteligência

    Nunca mais fui tão bom pensador como aos dezasseis anos.
    Debatia com todos, que se dispusessem para isso, tudo, e de preferência, a filosofia e a política: as opções da vida. Era muito bom nisto, mas especialmente quando debati com mais velhos. Era mais rápido no raciocínio, e muito mais livre.

    Estava em vantágem:
    Podia pensar tudo, enquanto os meus adversários mais velhos só aquilo que não punha em causa a sua vida já vivida.

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    15.4.04
    Nada menos do que a verdadeira coisa!

    Velhos, derrotados, miseráveis...
    Com dezasseis anos, quem achei mesmo miserável eram os adultos que me envejavam a esperança.
    Que diziam felicidade era ter esperança.
    Queria lá saber da esperança, queria aquilo pelo que esperava!

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